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Torre de Babel

Torre de Babel

Os decifradores da escrita cuneiforme

Até ao começo do século XIX, a Mesopotâmia só era conhecida através da Bíblia, dos relatos um tanto inexatos dos historiadores da antiguidade, como Heródoto, e das narrativas dos viajantes da Idade Média e da Renascença.

 

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Por volta de 1800, as inscrições trilingues gravadas pelos grandes reis aqueménidas em Persépolis e Behistun permitiram os primeiros trabalhos de decifração da escrita cuneiforme. Um mesmo texto aparecia escrito em três línguas cuneiformes diferentes: o persa antigo, o elamita e o acádio (babilónio).

 

Tudo começou com G. F. Grotefend, professor da Universidade de Göttingen, que, em 1802, pensava ter identificado «as inscrições persepolitanas cuneiformes». A partir de 1835, o diplomata e militar inglês H. C. Rawlinson acabou de decifrar a primeira língua, escalando, com risco para a sua vida, o rochedo de Behistun, onde estava gravado um baixo-relevo comemorativo da vitória do rei persa Dario I.

 

Em 1851, Norris descobriu que a segunda língua era o elamita, e foi dado um passo decisivo quando, em 1857, a Royal Asiatic Society de Londres pediu a Rawlinson, a Fox-Talbot, a Hincks e a Oppert que traduzissem um mesmo texto acádio; as traduções foram enviadas um mês mais tarde, e coincidiam!

 

Em 1857, Jules Oppert publicou a sua Expedição Científica à Mesopotâmia, que contribuiu para a decifração da escrita cuneiforme, e, em 1905, finalmente, o francês F. Thureau-Dangin publicou Inscrições da Suméria e de Acad, sobre a decifração de uma língua, mais antiga ainda, que tinha servido para notar o acádio: o sumério.

Festins e banquetes na Mesopotâmia

As refeições dos deuses e dos príncipes eram muito refinadas, ainda que nem todos os pratos correspondessem ao nosso gosto.

 

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Foram encontradas três curtas recolhas de receitas datando do século XVII a.C., e os pratos que descrevem eram servidos durante os banquetes rituais do 2º milénio.

 

Algumas receitas são muito breves, outras mais complexas, como a de torta de aves, em escrita cuneiforme, que ocupa nada menos de 49 linhas:

 

«Suprimir patas e pescoços; retirar a fressura e principalmente as moelas; lavar tudo, depois de ter cortado a fressura, e passar rapidamente pelo lume numa caldeira; deitar água e leite numa marmita e acrescentar aves e fressura, sal, gordura, 'madeiras aromáticas' e um pouco de arruda desfolhada; quando ferver, acrescentar cebola, alho-porro, alho e um pouco de água fria; deixar cozer; preparar uma massa de farinha, leite, salmoira perfumada e um pouco de gordura da cozedura; dividir a massa crescida em duas metades e pô-las a cozer; colocar uma das metades numa travessa e dispor as carnes aspergidas de suco de alho e acompanhadas por pequenos pedaços de massa cozida, cobrir com a outra metade, que serve de tampa, e levar à mesa.»

Quem foi Amalia Hernandez e porque a Google lhe dedica um doodle

O Google Doodle de hoje comemora a dançarina e coreógrafa Amalia Hernandez (1917-2000). Ela fundou o Balé Folclórico do México e usou-o para compartilhar a cultura mexicana com o mundo.

 

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Nascida em 1917, Amalia Hernandez desenvolveu a paixão pela dança no início da vida. Ela tornou-se coreógrafa no Instituto Nacional de Belas Artes, onde ensinou dança moderna. Depois voltou o seu foco para as tradicionais danças populares mexicanas. Hernandez combinou essas danças com mais movimentos coreografados do seu treinamento formal, ajudando a criar um estilo de dança totalmente novo conhecido como baile folclórico.

 

Em 1952, Amalia Hernandez fundou o Balé Folclórico do México. Começando com apenas oito dançarinos, a equipa cresceu para mais de trezentos em poucos anos. A empresa atuou na televisão pela primeira vez em 1954, e dado o enorme sucesso dessa transmissão televisiva passaram a atuar na TV semanalmente. Essa incrível ascensão permitiu que o grupo de Amalia viajasse para a América do Norte e até representasse o México nos Jogos Pan-Americanos em 1959.

 

O Balé Folclórico do México ainda atua atualmente. Desde a sua criação, o grupo dançou para mais de 22 milhões de pessoas. Hernandez continuou envolvida com a empresa até à sua morte em 2000, trabalhando ao lado das suas filhas e netas.

 

Feliz aniversário de 100 anos para Amalia Hernandez, lembrada como embaixadora da cultura mexicana cujo legado vive no Balé Folclórico.

Samuel Johnson recebe um Google Doodle no seu 308º aniversário

Samuel Johnson (1709-1784) foi um escritor inglês que se notabilizou nas mais variadas áreas das letras. A Google dedica-lhe um doodle esta segunda-feira, dia 18 de setembro, para assinalar o 308º aniversário do seu nascimento. O Google Doodle foi desenhado tendo unicamente em conta o trabalho de Johnson na lexicografia, tendo o escritor deixado como uma das suas grandes obras um importantíssimo dicionário da língua inglesa.

 

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Se você quisesse saber o que a palavra «lexicógrafo» significa hoje, pode pesquisar no Google. Se você, no entanto, gosta de pesquisar à moda antiga, pode pegar num dicionário. O Google Doodle deste dia 18 de setembro comemora o 308º aniversário do nascimento do lexicógrafo britânico – uma pessoa que compila dicionários – Samuel Johnson.

 

Samuel Johnson publicou o Dicionário da Língua Inglesa em 1755, após nove anos de trabalho. Esta obra foi descrita como "uma das maiores realizações únicas da bolsa de estudos", e teve um grande efeito sobre a língua inglesa moderna. O dicionário de Johnson era "colossal" – quase 18 centímetros de altura! Foi o primeiro dicionário inglês até a publicação do dicionário de Oxford 150 anos depois.

 

O Google Doodle dedicado a Samuel Johnson:

 

 

Johnson também era poeta, ensaísta, crítico, biógrafo e editor. O dicionário de Samuel Johnson era mais do que apenas uma lista de palavras: o seu trabalho proporcionava uma vasta compreensão da linguagem e da cultura do século XVIII. As importantes contribuições deste lexicógrafo garantiram-lhe um lugar na história literária.

O Estandarte de Ur

Nos túmulos do «cemitério real» de Ur foi encontrado um painel de madeira em que uma face representa a guerra e a outra a paz.

 

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Pensou-se de início que se tratava de um «estandarte» destinado a ser montado numa haste, mas é na realidade um díptico composto por dois painéis separados por placas triangulares que deviam dar-lhe a forma de uma estante.

 

A decoração é feita com conchas nacaradas, gravadas e recortadas, incrustadas num fundo de calcário colorido, sendo todo o conjunto colado com betume sobre placas de madeira. Objetos comparáveis, mas menos bem conservados, foram descobertos nas escavações de Mari e de Kish.

 

Em cima, na face da paz, o rei festeja, rodeado de dignitários vestidos à maneira característica dos Sumérios; entre eles circulam servidores, personagens menos importantes, representados em tamanho reduzido. Em baixo, soldados conduzem um carro puxado por burros selvagens.