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Torre de Babel

Torre de Babel

As bizarras experiências com a eletricidade no século XIX

Muitos dos progressos que hoje nos tornam a vida mais fácil surgiram de forma inesperada, surpreendendo os seus próprios criadores.

 

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A ideia do monstro do doutor Frankenstein foi imaginada pela notável romancista inglesa Mary Shelley, que publicou a primeira edição da obra em 1818. A sua inspiração veio do contexto científico da época: durante o século que acabava de terminar, o XVIII, haviam-se popularizado as experiências com a recém-descoberta eletricidade e começava-se a especular que as descargas elétricas poderiam ter propriedades terapêuticas e até ser capazes de ressuscitar os mortos, como acontece no romance.

 

Alguns cientistas, fascinados, fizeram perigosas experiências muito próximas das de Frankenstein. O mais intrépido foi o italiano Giovanni Aldini, que chegou a tentar a reanimação de criminosos executados. Numa das suas experiências, impressionou os assistentes ao fazer as mandíbulas de um morto começarem a tremer enquanto os músculos da cara se retorciam. Até abriu um olho! Aldini era sobrinho de Luigi Galvani, o descobridor da origem elétrica dos impulsos nervosos, teoria que começou por ser conhecida como "galvanismo".

 

Mais divertidos foram os ensaios do abade Jean Antoine Nollet, que fez as delícias da corte francesa. Um dia reuniu no Palácio de Versalhes 148 guardas em formação para demonstrar como a eletricidade passava de uns para outros. Todos estavam em contato e obrigou o primeiro a tocar numa garrafa geradora de eletricidade. Deu um salto e em frações de segundo os outros também o fizeram, para regozijo cortesão. Noutra ocasião, fez uma experiência semelhante com 200 monges cartuxos de Paris.