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Torre de Babel

Torre de Babel

História do Castelo do Porto

Pondo de lado a polémica acerca de terem existido ou não muralhas românicas no Porto, construídas nos finais do século III ou inícios do IV (mais precisamente durante a crise que assinalou o Império), como sustentam alguns historiadores (estribados nos resultados das escavações arqueológicas efetuadas junto a um dos poucos trechos sobreviventes dessa muralha, à entrada da Calçada de Vandoma), de verdade histórica indiscutível é a existência de dois muros defensivos no Porto, ambos medievais: a muralha dita sueva (cerca velha) e a muralha fernandina (cerca nova), das quais existem ainda hoje vestígios, mais desta que daquela, evidentemente.

 

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Perto da Sé, na esquina da Calçada de Vandoma com a Avenida de Vímara Peres, pode ver-se o que se considera serem os restos da muralha primitiva, o chamado Castelo do Porto.

 

Além da natural proteção da cidade, as cinturas de muralhas destinavam-se, essencialmente, a defender os habitantes e os seus bens das investidas de invasores e atacantes, tão frequentes nos tempos medievais.

 

A maioria dos historiadores do Porto situa num dos mais recuados séculos da Idade Média a época em que se ergueu a primeira cinta de muralhas em volta da cidade, então ainda um modesto povoado castrense no alto do morro da Pena Ventosa.

 

Atribui-se aos reis suevos a construção dessa primitiva cerca e terá sido sobre os alicerces dessa fortificação sueva, arrasada completamente pelo terrível chefe mouro Almançor, em 825, que o gascão Moninho Viegas (trisavô de Egas Moniz), ajudado pelos cristãos, no tempo da Reconquista, mandaria reconstruir os muros do burgo.

 

Designada também «castelo do Porto» em muitos documentos antigos, a cerca velha data, pois, da alta Idade Média e existia ainda em 1120, aquando da doação do Burgo Portucalense ao bispo D. Hugo. De facto, no documento de doação de D. Teresa, referem-se territórios «extra muros», que integravam, para além do castelo propriamente dito, o couto doado ao primeiro bispo da diocese definitivamente restaurada.

 

Esta cerca primitiva erguia-se no morro da Pena Ventosa, à volta da Sé e de algumas construções que formavam o núcleo primitivo do burgo portucalense. Este morro, sobranceiro ao Douro, era um local de grande importância estratégica para o controlo da passagem do rio, principal via de entrada e saída da maior parte das mercadorias transaccionadas na cidade.

 

A muralha comunicava com o exterior através de quatro portas. A principal era a de Vandoma (demolida, juntamente com a capela anexa, em 1855) e ficava a nascente do burgo, entre o Largo da Sé e a Rua Chã, antes denominada Chão das Eiras. Daqui, a muralha rodeava o monte da Sé, seguindo de perto as Escadas das Verdades, onde se erguia o Arco ou Porta das Mentiras (mais tarde chamado das Verdades, demolido, talvez no decurso do século XIV). Cruzava então pelo alto do Barredo, fazendo um ângulo sobranceiro ao rio da Vila (hoje entubado sob as ruas de Mouzinho da Silveira e de S. João), onde se situava o Arco de Sant'Ana ou das Aldas (demolido em 1821). Continuava depois para norte, onde se abria o Arco de S. Sebastião (apeado em 1819, por ameaçar ruína iminente), seguindo depois em zig-zag até fechar o circuito, na Vandoma.