Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Torre de Babel

Torre de Babel

Cristóvão Colombo e a descoberta da América

Longe de descobrir o caminho marítimo para as Ilhas das Especiarias, como esperava, Cristóvão Colombo (1451-1506) descobriu o Novo Mundo e abriu as portas à exploração das Américas.

 

christopher_columbus_1.jpg

 

Uma era de explorações seguiu-se aos feitos do infante D. Henrique, o Navegador, e, embora italiano por nascimento, Colombo sofreu a influência dos navegadores portugueses, depois de se ter instalado em Lisboa. Casara com a filha de um comandante, que servira sob as ordens do infante e aprendeu técnicas e segredos tais como manobrar uma caravela e que provisões e produtos para negociar deviam levar em longas viagens.

 

Por essa época, enquanto o homem se apercebia de que a Terra era redonda (embora Colombo estivesse convencido de que era em forma de pêra e que o mar subiria à medida que navegasse para oeste) pensava-se que tivesse um perímetro próximo do que sabemos hoje ter. Também Marco Polo pensara que a Ásia era muito mais larga e, partilhando esta convicção, Colombo julgava poder alcançar as Ilhas das Esperanças e o Japão navegando uns quatro mil quilómetros.

 

Colombo tinha feito algum comércio no Mediterrâneo, visitara a costa da Guiné e, embora fosse mais um mercador do que um homem do mar, sentia também que tinha uma missão. Era um homem religioso com uma firme fé em Deus e no seu destino e sentiu-se em parte motivado pelo desejo de descobrir povos para converter ao cristianismo.

 

Primeiro tentou interessar o rei português nas suas propostas. Depois tentou com a rainha Isabel de Espanha, mas ela estava decidida a conquistar o último baluarte mouro, em Espanha. Só depois de os Mouros terem sido completamente derrotados, em 1492, e graças à influência do tesoureiro de Isabel é que a rainha concordou em conceder a Colombo o título de vice-rei hereditário de todas as terras que descobrisse e um décimo de todo o valor comerciado, e foi-lhe dado o comando de três pequenas naus, Santa Maria, Nina e Pinta. Partiu em agosto de 1492, tinha então quarenta anos.

 

Ele e os seus homens navegaram dezanove mil e duzentos quilómetros e não os quatro mil que julgavam. A navegação era imprecisa: podiam apenas calcular em longitude. Ao fim de trinta e três dias sem ver terra, a tripulação amotinou-se. Contudo, foi avistada terra na manhã de 12 de outubro de 1492.

 

Colombo e a sua tripulação ficaram satisfeitos ao descobrir que os habitantes eram muito amistosos. Usavam argolas de ouro no nariz, mas eram um povo bastante primitivo, com casas rudimentares, que viviam das plantas e animais que os rodeavam. Onde estavam as grandes cidades, os ricos tecidos e as jóias? No entanto, haviam encontrado terra e novas gentes para converter ao cristianismo.

 

Ainda à procura do Catai, viajaram até Cuba e depois para uma terra «de muitos portos na costa dos mares e muitos rios bons e largos» com elevados planaltos e montanhas. Colombo chamou-lhe Hispaníola e achou também os índios Arawak «ingénuos e generosos com tudo quanto tinham», embora houvesse sinais de canibalismo. Colombo apressou-se a regressar com as notícias do que encontrara. O rei e a rainha foram ricamente presenteados com ouro, flores, frutos, aves empalhadas e vivas e até alguns índios das Índias Ocidentais, como lhe chamaram.

 

Colombo, convencido de que estivera perto do Japão e que encontraria o continente asiático, partiu novamente, em 1493, desta vez com toda a pompa, levando dezassete navios e pelo menos mil e duzentos homens para colonizarem Hispaníola.

 

Ao chegar lá pela segunda vez verificou que a guarnição que lá deixara fora massacrada por índios de outra ilha. Chamaram ao mar, mar das Caraíbas, do nome dos selvagens Caraíbas. Organizou-se uma colónia, mas os colonos, num local insalubre e sentindo a falta da sua comida ocidental, tratavam muito mal os nativos. Não havia especiarias a não ser pimenta, e o ouro só se obtinha à custa de trabalho escravo. Pediram a Colombo que regressasse daquela missão falhada. Fez mais duas viagens, descobrindo, numa delas, a parte sul do continente americano, mas o seu comando fraco ainda que implacável fez com que regressasse a Espanha a ferros depois de se ter sabido que os índios estavam a ser escravizados e os colonos enforcados.

 

Foi-lhe permitida uma viagem posterior, na condição de não se aproximar de Hispaníola. Quando regressou finalmente a Espanha, em 1504, estava ainda convencido de que as Ilhas das Especiarias se encontravam facilmente ao alcance. Nunca se apercebeu da verdadeira dimensão das suas descobertas. Porque não dera ouvidos quando na sua quarta viagem os índios Maias lhe falaram das riquezas que havia no interior?