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Torre de Babel

Torre de Babel

As incríveis viagens de Marco Polo

Quando Marco Polo (1254-1324), seu pai e tio deixaram Veneza, em 1270, levaram vinte e cinco anos em viagem. Ao regressarem haviam estado fora tanto tempo que ninguém os reconhecia, sobretudo porque já não sabiam falar muito bem italiano! Depois de terem convencido os amigos e familiares de quem eram realmente, convidaram muita gente para uma festa espetacular, em que apareceram com uns belos fatos carmesim, que foram mudando, mostrando por fim os seus velhos fatos que depois de rasgados revelaram preciosas jóias, provando assim as maravilhas que haviam visto e que Marco Polo contou mais tarde, no seu livro As Viagens de Marco Polo.

 

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Quando o acusaram de exagero, disse que «não contara metade do que vira». Atravessara a Ásia e trouxe para o Ocidente descrições da China e de outros países, com toda a sua variedade e espetacularidade, por que passara até lá chegar.

 

Marco ficou a dever as suas aventuras a seu pai e tio. Como mercador de Veneza, nessa altura o maior centro comercial da Europa, seu pai e tio estavam decididos a percorrer a velha Rota da Seda do Norte, até Cambaluc, onde Cubilaicão, o poderoso imperador mongol, tinha a sua corte. Ali, perto do que é hoje Pequim, Cubilaicão ajudou-os nos seus negócios e pediu aos venezianos que solicitassem ao Papa que lhes mandasse cem cristãos sensatos, frades e homens «versados em artes e ciências» para instruírem os seus «violentos tártaros».

 

Haviam estado ausentes nove anos e, entretanto, o Papa Clemente VI morrera. Depois de ser eleito o novo Papa, os irmãos apresentaram-lhe o pedido do imperador, mas ele só nomeou dois dominicanos que, cheios de medo de prosseguir, regressaram pouco depois de terem partido com os três Polos, porque agora o jovem Marco já se havia juntado a eles.

 

Decidiram viajar por mar para a China, pelo golfo Pérsico, até verem que os barcos «não são unidos com pregos de ferro, mas cosidos com guita» e escolheram então o ramo sul da Rota da Seda com uns 11200 quilómetros de extensão. Levaram quarenta dias a atravessar o Pamir, chegando a atingir os 4755 metros de altitude, antes de enfrentarem o deserto de Gobi com as suas miragens e areias movediças.

 

Três anos e meio depois de terem partido chegaram à corte de Cubilaicão, onde em breve Marco Polo se tornou favorito, saindo em inúmeras expedições com um cargo oficial e tornando-se governador da província de Yang-chow, comissário imperial e enviado extraordinário, nos seus dezassete anos de estadia. Viu os «poderosos rios da China, as suas grandes cidades, as suas ricas manufaturas, a sua densa população e as incalculáveis frotas que percorriam rapidamente os seus mares e as suas águas interiores».

 

Ao fim de dezassete anos de trabalho na China, os Polos empreenderam a sua viagem de regresso à pátria. Levaram com eles a bela princesa Cocachim como nova esposa do cão da Pérsia. A sua viagem até Java durou três meses. Uma vez lá chegados, a tripulação dos seus catorze navios construiu um poderoso forte para se defenderem dos ataques dos nativos canibais e, enquanto ali permaneceram, Marco Polo teve oportunidade de conhecer variadas especiarias.

 

Levaram dois anos a chegar à Pérsia e dos seiscentos passageiros que os catorze navios transportavam, apenas sobreviveram dezoito. A princesa foi entregue sã e salva, embora o velho cão já tivesse falecido e ela casasse, então, com o seu filho.

 

Se Marco Polo não tivesse sido feito prisioneiro depois da batalha naval entre Venezianos e os seus rivais no comércio, os Genoveses, em 1296, pouco depois do seu regresso, podia ser que não tivéssemos conhecimento de todas as maravilhas que ele viu. Um companheiro de prisão, Rusticiano, sugeriu que Marco Polo lhe contasse as suas longas viagens, que descreviam Hangchow com as suas doze mil pontes, Pequim com os seus trinta e oito quilómetros de muralhas, oito palácios e um salão suficientemente grande para comportar seis mil pessoas sentadas... e outras incontáveis maravilhas.

 

Depois de sair da prisão Marco Polo viveu ainda em Veneza, na grande casa da família, parte da qual ainda hoje existe.