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Torre de Babel

Torre de Babel

Hernán Cortés e a conquista de Tenochtitlán

Hernán Cortés (1485-1547) tem sido designado como «o maior dos conquistadores» e era, na verdade, desprovido de temor, impiedosamente cruel e acreditava firmemente que a sua missão era a de converter os ateus ao cristianismo e acabar com os sacrifícios humanos e o canibalismo. O facto de ele ser também ávido de ouro e de riquezas não parece ter sido obstáculo às suas convicções.

 

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Cortés nasceu numa família nobre da Espanha Ocidental. Homem de cultura e de posição social estudou Direito e, com dezanove anos, emigrou para Hispaníola, onde se tornou advogado e lavrador. Em 1511, navegou com Diego Velázquez à conquista de Cuba e ajudou a administrar a colónia. Já tornara bem clara a sua ambição: «Venho para arranjar ouro, não para cavar o solo como um camponês.»

 

Velázquez nomeou-o chefe de uma expedição para explorar o Iucatão e fundar uma colónia no continente, uma decisão que viria mais tarde a lamentar, quando Cortés recusou as suas ordens e se instalou ali como governador.

 

Cortés desembarcou em Tabasco, no ano de 1519, e deu ordem para que os seus barcos fossem queimados. A única forma de andar era para a frente. Após uma batalha com os nativos, soube do Império Asteca, que existia no interior. Levou três meses a percorrer os trezentos e vinte quilómetros de montanhas com as suas tribos selvagens e, ao imperador asteca Montezuma, que vivia na sua bela capital Tenochtitlán (onde é hoje a Cidade do México), na sua ilha num lago, chegaram notícias sobre os forasteiros de rosto pálido, cabelo negro e barbas, com armas de fogo mágicas.

 

O imperador, embora desconfiasse dos estrangeiros, recebeu-os com amizade, hospitalidade e presentes de ouro. Julgou que Cortés podia ser a reencarnação do deus asteca Quetzalcoatl. Apesar dos discursos amistosos de Cortés, os Espanhóis, em breve, aprisionaram Montezuma, obrigando-o a agir como uma marioneta e a ordenar aos seus súbditos que reunissem ouro. Quando o irmão do imperador chefiou uma revolta contra os Espanhóis, Montezuma foi apedrejado e, recusando-se a receber qualquer tratamento médico, morreu. Os homens chefiados pelo conquistador espanhol tiveram de abrir caminho lutando para saírem da cidade de noite, pelos estreitos canais que conduziam ao continente.

 

Depois da fuga, Hernán Cortés regressou para montar cerco aos Astecas. Muitos deles já tinham morrido durante uma epidemia de bexigas, provavelmente trazida pelos Espanhóis, mas resistiram durante três meses. A água em torno de Tenochtitlán ficou «vermelha de sangue dos mortos e dos moribundos».

 

Quando Cortés entrou na cidade, tudo destruiu selvaticamente. Pereceram mais de duzentos e quarenta mil astecas e, dentro de poucos anos, quase todos os vestígios da civilização asteca tinham sido apagados.

 

Cortés fez mais expedições, mas foi muito mal sucedido e arranjou muitos inimigos. Em 1540, regressou a Espanha, onde mais tarde morreu completamente endividado, desiludido e triste. O ouro por que ele e os seus companheiros «ansiavam», pelo qual haviam «fossado como porcos» não lhe trouxera felicidade duradoura e destruíra um magnífico império à traição, em nome da cristandade.