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Torre de Babel

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História da Praça da Ribeira no Porto

A típica Praça da Ribeira é uma das mais antigas do Porto. Referida já numa carta régia de D. João I, datada de 17 de março de 1389, desconhece-se, no entanto, em que data foi edificada, bem como a sua primitiva configuração.

 

Praça da Ribeira.jpg

 

Situada no centro nevrálgico da antiga cidade e bem no coração da atividade comercial desenvolvida à volta do rio, era natural que esta praça merecesse, desde sempre, as atenções dos responsáveis pela urbanização da cidade.

 

Assim aconteceu também no século XVIII, quando João de Almada e Melo, o grande reformador da cidade, concebeu, em colaboração com John Whitehead (um culto arquiteto inglês e nesse tempo cônsul no Porto), um arrojado projeto para renovar urbanisticamente esta típica praça ribeirinha, dela pretendendo fazer a principal da cidade.

 

Nos planos do insigne governador das Armas do Porto, além da abertura da Rua de S. João, para ligar a zona ribeirinha ao Largo de S. Domingos e, daqui, à parte alta da cidade, previa-se também a reforma da velha praça portuense, pretendendo dar-lhe (dada a sua localização perto do rio) uma configuração semelhante, embora de menores dimensões, à da Praça do Comércio, de Lisboa, construída na mesma época pelo marquês de Pombal, de quem João de Almada era parente.

 

A praça projetada era de planta retangular, simétrica, fechada a nascente, sul e poente por construções em arcada e aberta apenas a norte pelas ruas de S. João e dos Mercadores, sendo também de arcada o prédio entre estas ruas. Do lado sul, fecharia a praça a muralha fernandina, aberta interiormente por uma série de nove arcos, mas tapados pelo lado do rio pela parede da muralha, à exceção do último, à direita, onde se situava a Porta da Ribeira, para dar acesso ao cais e à ponte de barcas que desembocava ali perto, do lado do Porto.

 

São_Nicolau-Praça_da_Ribeira_ou_do_Cubo.jpg

 

No centro da praça, seria construído um chafariz arquitetonicamente enquadrado nas construções do conjunto. Inicialmente, não estava prevista a construção da fonte monumental na fachada do prédio do topo norte da praça; mas, em 1784, dois anos antes da morte de João de Almada, essa fonte já estava em construção, em vez das arcadas previstas para o prédio que liga as duas artérias. A fonte foi restaurada em 1940.

 

Fortes razões devem ter impedido a realização total deste projeto, que ainda começou a ser concretizado, nomeadamente do lado ocidental, onde a frontaria das construções existentes, embora muito deturpadas em relação ao plano inicial (projetadas em estilo neoclássico, com arcadas no piso térreo), ainda mostram alguns indícios do ambicioso projeto delineado por João de Almada e que seria definitivamente abandonado nos inícios do século XIX.

 

Em 1821, com a demolição do pano da muralha fernandina na Ribeira, a praça ficou completamente alterada, sendo ladeada por construções sem qualquer articulação de conjunto e recebendo a configuração que praticamente ainda hoje apresenta.