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Torre de Babel

Torre de Babel

James Weddell e a exploração da Antártida

Muitos exploradores devem a sua fama à combinação de perícia e sorte, mas para James Weddell (1787-1834) a sorte parece ter desempenhado um papel mais importante do que o habitual ao permitir-lhe estabelecer um recorde de navegação na Antártida.

 

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Weddell era filho de um estofador que morreu novo deixando viúva e dois filhos. O jovem Weddell teve pouca instrução, embora aproveitasse o melhor possível a que tinha e lesse muito. Começou a sua carreira na Marinha Mercante mas depois passou para a Royal Navy. Tornou-se aspirante e um bom navegador. Seria mais tarde descrito por um almirante como «um dos oficiais mais eficientes e dignos de confiança que conheci no decurso da minha vida profissional».

 

Depois de sair da Marinha, Weddell assumiu o comando do brigue Jane e tornou-se caçador de focas embora não pudesse ter tido grande experiência nesse campo.

 

Depois da sua primeira viagem à Antártida, em 1819, o navegador e explorador inglês conseguiu comprar uma quota do Jane e, depois de estar ausente durante dois anos, depressa voltou a partir, numa segunda viagem. Visitou a Jórgia do Sul, as Shetlands do Sul e Órcades do Sul, em 1821 e 1822, explorando, navegando, e procurando as peles de foca que eram o seu negócio.

 

Na sua terceira viagem, que começou em 1822, avistou as Shetlands do Sul e dirigiu-se mais para sul em busca de novas terras. Embora fosse um explorador, James Weddell tem sido descrito como «tendo o coração de explorador», e esta curiosidade e a sua excelente perícia como navegador levaram-no a uma zona rigorosa e geralmente impenetrável a 74º 17' S. Bateu o recorde do capitão Cook por três graus e permaneceria um recorde até James Clark Ross o bater, em 1842, servindo-se do diário de bordo de Weddell. Este fora capaz de se aventurar até ali porque os mares estavam invulgarmente livres de gelo. O mar estava calmo e «perfeitamente livre de campos de gelo», dizia Weddell. A estação ia adiantada e o inverno, que se aproximava, fez com que o explorador decidisse sensatamente regressar servindo-se do vento que soprava para sul.

 

Chamou ao mar, «mar Jorge IV», mas hoje é chamado mar de Weddell, em homenagem a este navegador cujos cálculos de longitude foram de invulgar precisão. Não era um cientista e, contudo, levou para Londres alguns espécimes únicos de leões-marinhos; anotava todos os dias as variações de temperatura do ar e da água e as variações da bússola e, menos cientificamente, depois de dar à sua tripulação uma ração dupla de rum, atirou uma garrafa ao mar com uma mensagem.

 

De regresso a casa, Weddell escalou ainda um pico na Jórgia do Sul e ficou espantado ao ver que o mercúrio, num dos seus instrumentos, que indicava o horizonte artificial, tremia. Estava a registar estremecimentos vulcânicos.

 

Depois de regressar, em 1824, Weddell publicou um belo relato das suas descobertas em Uma Viagem em Direção ao Polo Sul. Isto quase cem anos antes da viagem completa ser efetuada.

 

James Weddell morreu, solteiro, com a idade de quarenta e sete anos, em Londres.