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Torre de Babel

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Marqueses de Nisa

Foi primeiro marquês o quinto conde da Vidigueira, D. Vasco Luís da Gama (1612-1676), descendente de Vasco da Gama, o descobridor do caminho marítimo para a Índia e primeiro conde da Vidigueira. Foi um dos primeiros fidalgos a aderirem à causa da Restauração e o próprio D. João IV o fez marquês, por carta de 18 de outubro de 1646, data em que lhe foi concedido o privilégio de o título de conde da Vidigueira ser de "juro e herdade para sempre, segundo a forma da Lei Mental, com a prerrogativa de que, quem herdasse a Casa, se chamasse logo Conde da Vidigueira, sem para isso ter de tirar Carta, provisão ou licença dos Reis". O mesmo rei nomeou-o embaixador junto da corte francesa, notabilizando-se pela forma como defendeu os interesses de Portugal contra a pressão diplomática espanhola junto do cardeal Mazarino. De regresso ao reino, em 1649, foi deputado da Junta dos Três Estados, membro do Conselho de Estado e do da Guerra durante os reinados de D. João IV e de D. Afonso VI e, ainda, na regência de D. Pedro, futuro D. Pedro II. Finda a Guerra da Restauração, o que apenas se verificou em 1668, foi um dos negociadores portugueses para defender os interesses do país no tratado de paz com a Espanha. A estadia em França proporcionou-lhe um espírito culto, bem notório designadamente no recheio da sua biblioteca, na qual se destacavam livros raros e representativos da mais elevada cultura da Europa de então.

 

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Foi segundo marquês D. Francisco Luís Baltasar António da Gama (1636-1707), filho do primeiro titular. Também combateu contra os espanhóis até ao final da Guerra da Restauração, finda a qual foi nomeado governador e capitão-general do Algarve. Foi igualmente deputado da Junta dos Três Estados e membro do Conselho da Guerra de D. Pedro II e de D. João V. Sucedeu-lhe no título seu filho D. Vasco José Luís Baltasar da Gama (1666-1735), que foi tenente-general de Cavalaria do Alentejo e também lutou contra os espanhóis.

 

Foi quarta marquesa a filha única do anterior titular, D. Maria José Francisca Xavier Baltasar da Gama (1712-1750), sucedendo-lhe seu filho, D. Vasco José Jerónimo Baltasar da Gama (1733-1757), filho do primeiro casamento da quarta marquesa. Morreu com apenas 24 anos e sem geração, tendo o título passado para um seu irmão, filho do segundo casamento da quarta marquesa, D. Rodrigo Xavier Teles de Castro da Gama Ataíde Noronha Silveira e Sousa (1744-1784), que foi também conde de Unhão, tendo sucedido a seu pai neste último título.

 

Foi sétima marquesa D. Eugénia Maria Josefa Xavier Teles de Castro da Gama (1776-1839), filha herdeira do sexto marquês. Casou com D. Domingos Xavier de Lima (1765-1803), terceiro filho do primeiro marquês de Ponte de Lima. Foi oficial da Marinha, destacando-se na luta contra os franceses em Nápoles, ao lado do famoso almirante inglês Nelson.

 

Foi oitavo marquês D. Tomás Xavier Teles de Castro da Gama Ataíde Noronha da Silveira e Sousa (1796-1820), tenente de Cavalaria e comendador da Ordem de Cristo. Sucedeu-lhe seu filho único, D. Domingos Vasco Xavier Pio Teles da Gama Castro e Noronha Ataíde Silveira e Sousa (1817-1873), homem extravagante, boémio e intelectual. Senhor de um dos maiores morgadios do reino, tal não evitou que ele próprio tomasse a iniciativa da lei que acabou por abolir essa instituição.

 

Foi décimo marquês D. José Teles da Gama Castro Ataíde Noronha da Silveira e Sousa (1877-1941), neto do anterior titular. Seu pai, que tinha direito ao título, nunca se encartou, deixando a sucessão para o filho. Foi bibliotecário-arquivista no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Casou duas vezes, mas não deixou geração, pelo que o título recaiu em D. Constança Xavier Teles da Gama.

 

Em 2000, o título de marquesa de Nisa pertencia a D. Maria Constança Teles da Gama Soares Cardoso, também condessa da Vidigueira e condessa de Unhão.