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Torre de Babel

Torre de Babel

O homem mais magnífico da história universal

Péricles, Sócrates, Alexandre Magno, Júlio César, Jesus de Nazaré, César Bórgia, Martinho Lutero, Napoleão Bonaparte... Historiadores e filósofos discutem entre si qual foi o homem mais magnífico da história universal, o exemplar perfeito da espécie humana – no ideal aristocrático greco-romano, não sob o regime ético-moral vigente. Cada historiador ou filósofo tem o seu favorito, e uma lista definitiva está longe de ser concebida. Neste breve artigo darei a minha opinião sobre o assunto, para tentar estabelecer qual foi realmente o número um na história do mundo. Mas, primeiro, precisamos de definir o que é um homem magnífico.

 

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Escola de Atenas, por Rafael Sanzio (1509-1511)

 

Homem magnífico, sublime, superior... Acima de tudo, este tipo de homem tem ambição política, segundo a definição aristotélica do homem como animal político, a arte mais fina que existe, e também a mais instável. No entanto, o homem magnífico deseja o poder não pelo poder em si como um fim, mas sim para o utilizar para algo. Para quê? Para a construção de uma civilização superior, para o desenvolvimento de uma instituição de pensamento que promova a exaltação do animal homem.

 

O homem magnífico tem os instintos implacavelmente hierarquizados, e o instinto dominante é o que procura crescimento, expansão, intensificação da vitalidade. Ele despreza o conforto e a felicidade do rebanho, é mais exigente consigo mesmo do que com os outros. Algo igualmente importante: ele vê ao longe, o seu objetivo de vida alcança milénios... O homem magnífico é na prática aquele que vê ao longe. Este tipo de homem encara toda a gente como degraus para o seu crescimento, instrumentos que utiliza para tentar estabelecer no mundo a sua visão. O homem magnífico assemelha-se muito, portanto, ao super-homem nietzschiano.

 

Encontrar este tipo de homem na história universal é difícil, mas muitos se aproximaram desta definição e houve um homem que a alcançou em toda a sua plenitude. Quem foi esse homem? Vamos começar por excluir os restantes.

 

Péricles perdeu-se na teia da democracia, apesar das suas qualidades extraordinárias; Sócrates é talvez o homem mais influente de sempre, dado que a sua filosofia construiu o mundo cristão, que deu origem ao mundo moderno, mas todos os atenienses sabiam que ele tinha instintos monstruosos nascidos da carência de poder; Alexandre Magno procurou construir uma civilização euroasiática, um objetivo extremamente nobre, mas praticou crueldades desnecessárias, para além de ter sido alcoólico, o que indica instintos desorganizados; Júlio César queria o poder pelo poder, nada de sublime tinha para oferecer ao mundo; Jesus de Nazaré imprimiu o seu nome na história universal, mas foi um idiota no sentido que Aristóteles deu ao termo, isto é, era inteligente mas faltava-lhe ambição política; César Bórgia, tal como Alexandre, praticou crueldades gratuitas; e Martinho Lutero não passava de um sacerdote ressentido que queria o poder dos católicos.

 

Pois bem, falta analisar um homem, que aliás está cronologicamente mais perto de nós: Napoleão Bonaparte (1769-1821). Deixei-o propositadamente – e necessariamente – para o fim, porque considero-o como o melhor exemplar da espécie humana, o homem mais magnífico que alguma vez passou por este confuso mundo, o último grande homem e superior a todos os demais. Mas porquê Napoleão? O que tem de especial o Imperador dos Franceses?

 

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Napoleão cruzando os Alpes, por Jacques-Louis David (1801-1805)

 

Napoleão era "quadrado" de corpo e alma, isto é, tinha os instintos hierarquizados, não apresentava qualquer tipo de carência; não se contentou com o poder pelo poder, procurou unir a Europa para lhe dar o brilho de outrora, a luz da Antiguidade clássica; não era cruel por ser cruel, todas as suas crueldades tinham um objetivo, e conseguia até ser filosófico perante o sofrimento alheio, tal como Xerxes, imperador da Pérsia; formado a partir de um único bloco de mármore, Napoleão tinha uma visão superior para o mundo, que suplantava a mesquinhez do Terceiro Estado e mesmo a vacuidade dos nobres e sacerdotes do seu tempo; comandante presente nos campos da morte, general brilhante, venceu mais batalhas do que Aníbal, César e Alexandre juntos; protetor das artes e dos sábios, amava a beleza e o conhecimento; político sagaz, sabia transmitir uma imagem bondosa e vitoriosa, mas não se deixava influenciar pelo espírito decadente da grei; orgulhoso, sublime, singular, talvez o seu maior erro foi não ter feito aliados, mas mesmo essa falha é compreensível perante a sua postura sem igual, num tempo em que a aristocracia já não era nobre, vivia apenas para os pequenos prazeres e já não acreditava em Deus, e em que os reis começaram a estar ao serviço dos povos e, pior ainda, orgulhavam-se da sua condição de servidores!...

 

Não admira que Napoleão tenha sido admirado por todos os filósofos e poetas do seu tempo, pois eles viam no Imperador dos Franceses uma nova esperança para o mundo, alguém que parecia saído da época gloriosa da Hélade, um homem muito pouco cristão, muito pouco humano, muito pouco domável e compreensível. Sem dúvida alguma, Napoleão Bonaparte é o homem mais magnífico da história universal!