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Torre de Babel

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Vida e Reinado de D. Fernando II

D. Fernando II (1816-1885), o Rei Artista, reinou entre 1837 e 1853, em direito de sua esposa a rainha D. Maria II.

 

Ferdinand_II,_King_Consort_of_Portugal_1861.jpg

 

Fernando Augusto Francisco António Kohary de Saxónia-Coburgo-Gotha, filho do príncipe Fernando Jorge Augusto de Saxónia-Coburgo-Gotha e da princesa Maria Antonieta Kohary de Saxónia-Coburgo-Gotha, foi o segundo marido de D. Maria II.

 

O enlace entre D. Maria II e Fernando, celebrado por procuração, teve lugar em Coburgo, no dia 1 de janeiro de 1836, sendo ainda nesse ano ratificado em Lisboa. Assegurava-se assim a proteção da rainha, havendo esperança que da união resultasse um sucessor ao trono português, o que rapidamente se concretizou com o nascimento do filho primogénito, futuro D. Pedro V. Aliás, o casal teria uma numerosa prole de 11 filhos.

 

Chegado a Lisboa em abril de 1836, foi nomeado marechal-general do Exército português e, a 16 de setembro de 1837, aquando do nascimento do príncipe herdeiro, foi proclamado rei consorte, com o título de D. Fernando II.

 

Não se pode dizer que tenha tido um papel relevante na condução dos assuntos de Estado, embora tenha colaborado na consolidação do regime constitucional e assumido o comando do Exército em determinadas ocasiões. Junto da rainha, foi sobretudo um conselheiro, como de resto seria, mais tarde, com seus filhos, D. Pedro V e D. Luís I.

 

Os anos seguintes não foram fáceis para D. Fernando e D. Maria, cujo reinado se tornou um período de grande instabilidade política e social, marcado por diversos golpes e sublevações: a Belenzada, golpe falhado, que ocorreu logo em 1836, a revolução da Maria da Fonte, em 1846, e, por fim, o golpe do marechal-duque de Saldanha, que deu origem ao governo constitucional regenerador.

 

Por morte de D. Maria II, em 1853, D. Fernando II assumiu a regência do reino, mas, dois anos mais tarde, confiou o trono ao seu filho D. Pedro, afastando-se da atividade política.

 

Durante a sua regência teve como objetivo assegurar a total liberdade de opiniões e o verdadeiro exercício dos direitos por parte dos cidadãos, conseguindo levar Portugal a um dos períodos mais equilibrados desde o eclodir do liberalismo. Voltaria ainda ao poder durante um breve período de regência, após a morte do jovem monarca D. Pedro V, em 1861.

 

No ano seguinte, foi convidado para ocupar o trono da Grécia, proposta que recusou, tal como em 1868 se negaria a assumir o da Espanha, deixado em aberto depois do afastamento de Isabel II.

 

Dotado de grande cultura artística e literária, apreciando muito mais a vida particular à pública, D. Fernando II dedicou grande parte do seu tempo às artes nacionais, a sua verdadeira paixão. Foi protetor da Academia de Belas-Artes de Lisboa e presidente da Academia das Ciências, em 1836, e do Conservatório Real, cinco anos mais tarde. A ele se deve a salvação de importantes obras do património nacional, tendo sido o responsável pela recuperação dos mosteiros dos Jerónimos e da Batalha, assim como dos conventos de Mafra e de Tomar.

 

O rei consorte foi também um exímio colecionador de peças de arte, grande parte delas hoje conservadas nos museus nacionais, e o mecenas de muitos artistas, a quem possibilitou os estudos no estrangeiro, como, por exemplo, Columbano Bordalo Pinheiro e José Viana da Mota. A generosidade de D. Fernando II para com os artistas fez com que lhe fosse atribuído o cognome de o Rei Artista.

 

Por decisão de D. Fernando, Alexandre Herculano foi nomeado seu bibliotecário particular no Palácio da Ajuda, cargo que facilitou ao historiador o trabalho de recolha de materiais para a sua notável História de Portugal e de outros estudos igualmente importantes.

 

Casado, desde 1869, com a cantora lírica suíça Elisa Hensler, condessa de Edla, D. Fernando deixou-lhe por testamento o belíssimo Palácio da Pena, que mandara construir em Sintra, entre 1840 e 1850. Posteriormente, o palácio voltaria a ser pertença real, depois de ser comprado pelo rei D. Luís.