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Torre de Babel

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Vida e Reinado de D. Manuel II

D. Manuel II (1889-1932), o Desventurado, reinou entre 1908 e 1910.

 

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Filho de D. Carlos e de D. Amélia, não esperava ter de assumir aos 18 anos as responsabilidades inerentes a um monarca, até porque estava a preparar-se para ser oficial da Marinha. Porém, foi empurrado para a liderança do país já que, durante o Regicídio, a 1 de fevereiro de 1908, também faleceu o seu irmão, o príncipe herdeiro D. Luís Filipe.

 

De um dia para o outro, a vida do jovem D. Manuel sofreu grandes mudanças. Entre outros aspectos, a família mais próxima passou a resumir-se à mãe e à avó, D. Maria Pia de Sabóia. Durante o atentado a seu pai, também foi ligeiramente ferido no braço, tendo recebido todos os cuidados. Esta preocupação, porém, justificou-se plenamente pela abrangência do ato em que a família real esteve envolvida.

 

Apesar de ninguém ter previsto que D. Manuel poderia tornar-se rei, a sua educação foi cuidada e rigorosa. Era um "devorador" de livros, sendo exímio no estudo e na investigação histórica. Teve uma educação moral e física bastante cuidada, tendo sabido aproveitar os ensinamentos dos seus mestres. Tocava primorosamente órgão, sendo a música um dos seus hobbies.

 

Nas palavras do marquês do Lavradio, seu secretário, o monarca era muito mais instruído do que os outros rapazes da sua idade, mas faltava-lhe capacidade para reinar. O mesmo nobre manifestou ainda a seguinte opinião: "Estruturalmente honesto, desejoso de acertar, entregou-se confiadamente nas mãos dos políticos, que provaram a sua incapacidade e deixaram cair a monarquia". Esta afirmação, de certo modo negativa, sobre a capacidade governativa de D. Manuel II foi posta em causa por aqueles que viam no monarca uma pessoa perspicaz – conhecedora dos que à volta dele se movimentavam, mas que sabia manter-se acima das intrigas.

 

D. Manuel II não costumava utilizar o facto de ser rei para se vangloriar perante aqueles que o rodeavam. Foi um soberano conciliador. Preocupou-se em moderar de forma equidistante os grupos que atuavam na cena política da época, tendo mantido a fidelidade à Carta Constitucional. João Franco foi afastado do governo do reino, tendo o monarca apostado em Ferreira do Amaral, a quem destinou o "ministério da Aclamação", que deveria recuperar a tranquilidade social e política e apaziguar o reino.

 

Os problemas que se mantiveram durante o seu reinado levaram a que os republicanos passassem a sua mensagem sem grandes entraves. O mote era: "O mal estava na monarquia decadente. Só a república podia salvar o país!".

 

Na noite de 3 de outubro de 1910, realizou-se o último jantar oficial do rei, com a presença do marechal Hermes da Fonseca, presidente do Brasil, e alguns ministros e representantes do corpo diplomático. Durante a cerimónia, D. Manuel II não sabia que restavam poucas horas para o Palácio de Belém se converter na sede de um Portugal republicano.

 

Precisamente a 5 de outubro de 1910 deu-se a implantação da República, proclamada da varanda da Câmara Municipal de Lisboa. A família real, que se encontrava no Convento de Mafra, embarcou na praia da Ericeira rumo ao Porto, mas o comandante da embarcação convenceu o monarca a alterar os planos e seguir viagem para Gibraltar para pôr as restantes pessoas que se encontravam a bordo do Amélia a salvo.

 

Ao saber da dimensão que a revolta republicana tinha atingido, D. Manuel desistiu de regressar ao país e passou a viver em Inglaterra. Perdeu o título, mas manteve aquilo que a monarquia lhe deu e ele soube aproveitar. Era um verdadeiro poliglota e falava corretamente várias línguas, sendo o francês o seu segundo idioma (desde os seis anos que lia, escrevia e falava francês).

 

Em 1913 casou com a prima, Augusta Vitória. Foi também no exílio que o último rei de Portugal reuniu uma preciosa biblioteca. Dedicou-se aos estudos bibliográficos, sobretudo, que incidiam em obras portuguesas dos séculos XV e XVI, tendo publicado em três volumes um catálogo sobre os livros antigos denominado Catálogo dos Livros Antigos Portugueses da Biblioteca de Sua Majestade Fidelíssima.

 

Com a Primeira Guerra Mundial, mesmo no exílio, D. Manuel esteve sempre atento aos ideais monárquicos portugueses: vestiu a farda da Cruz Vermelha Internacional, subsidiando e acompanhando feridos de guerra.

 

Aquando da sua morte, os restos mortais de o Desventurado foram transladados para Lisboa. Jaz em São Vicente de Fora, tal como muitos outros monarcas da Dinastia de Bragança.

 

Quando faleceu legou a Portugal grande parte do seu património, no qual se incluíam, entre outros, palácios, propriedades, jóias e livros.