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Torre de Babel

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Vida e Reinado de D. Maria II

D. Maria II (1819-1853), a Educadora, reinou entre 1826 e 1828 e depois entre 1834 e 1853.

 

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Filha de D. Pedro IV e da arquiduquesa D. Leopoldina de Áustria, nasceu no Rio de Janeiro, onde a corte portuguesa estava instalada em terras brasileiras. Foi a primogénita do imperador do Brasil e de sua primeira esposa, tendo recebido o título de Princesa da Beira e posteriormente Princesa Imperial do Brasil.

 

Quando seu avô D. João VI morreu, em 1826, D. Pedro era o legítimo herdeiro da coroa portuguesa, mas como desempenhava o papel de imperador do Brasil, veio a abdicar do trono a favor de D. Maria, depois de ter outorgado a Portugal a Carta Constitucional. As duas condições que estabeleceu para a abdicação do trono português foram o casamento da filha, atingida a maioridade, com o tio D. Miguel e que este jurasse a Carta Constitucional.

 

Em 1828, a princesa deixou o Rio de Janeiro com destino a Viena, para ser educada na Corte austríaca e legitimar a sua presença numa potência europeia influente e fortalecer o Partido Liberal. Nesse ano, D. Miguel regressou ao reino e aclamou-se rei absoluto, rejeitando D. Maria como noiva e rainha. Então esta rumou para Inglaterra, onde foi recebida com honras reais e, pela primeira vez, representou o povo português e fê-lo de uma forma exemplar.

 

A sua educação foi entregue à duquesa de Palmela e a D. Leonor da Câmara e os seus estudos prepararam-na para ser rainha. Foi formada para manter uma posição firme em relação aos princípios constitucionais e um caráter rígido mediante as adversidades. Regressou ao Brasil, em 1829, com a sua madrasta D. Amélia de Beauharnais, mas, pouco tempo depois, voltou para a Europa com o pai e, entre Paris e Londres, finalizou os seus estudos.

 

Em 1833, D. Pedro mandou ir buscá-la a Paris, pois adivinhava-se a vitória liberal. Um ano depois foi proclamada rainha de Portugal e dos Algarves, no mesmo ano em que assistiu à morte do pai.

 

O primeiro matrimónio da monarca foi com Augusto de Leuchtenberg, realizado em 1835, mas apenas durou dois meses, pois o príncipe veio a falecer, o que levou D. Maria II a negociar de imediato um novo casamento, desta feita com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, primo do rei belga Leopoldo I e da rainha Vitória de Inglaterra.

 

Do casamento com D. Fernando nasceram 11 filhos, entre os quais D. Pedro e D. Luís, futuros reis de Portugal. No entanto, D. Maria II viria a falecer durante o parto do décimo primeiro filho, que viria, também, a morrer poucas horas depois.

 

Durante o seu reinado foram criados liceus em todas as capitais de distrito, os planos dos estudos secundários foram atualizados e surgiram as Escolas Médico-Cirúrgicas e as Academias de Belas-Artes de Lisboa e do Porto, entre outras instituições escolares. Foi também estabelecida a obrigatoriedade do ensino primário para as crianças residentes em localidades onde existissem escolas. Este importante desenvolvimento do ensino em Portugal durante a governação de D. Maria II fez com que lhe fosse atribuído o cognome de a Educadora.

 

No decorrer da sua governação impulsionou-se, igualmente, a cultura portuguesa e a proteção das artes. Assistiu-se à construção do Palácio da Pena, do Teatro Nacional D. Maria II e ao restauro de monumentos como os conventos de Tomar e de Mafra, do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém.