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Torre de Babel

Torre de Babel

As expedições científicas de Alexander von Humboldt

Alexander von Humboldt (1769-1859) é mais conhecido por suas descobertas científicas: identificou a causa do mal das montanhas e calculou o efeito da altitude na temperatura. Estas descobertas não foram feitas em nenhum laboratório e o caminho que o levou até elas foi fascinante e perigoso.

 

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Nascido em Berlim, no ano de 1769, filho dum major do Exército prussiano, Humboldt cedo mostrou interesse pela ciência e, aos vinte anos, descobriu que queria ser explorador. Com este objetivo estudou biologia, geologia, astronomia, botânica e línguas.

 

Em 1797, depois de passar alguns anos a trabalhar para o Governo prussiano nos serviços mineiros, tentou reunir uma expedição organizada, mas devido às guerras napoleónicas não conseguiu. Abordou então o Governo espanhol e obteve autorização para visitar as colónias espanholas da América Central e do Sul à sua própria custa.

 

Com o botânico francês Aimé Bonpland, passou mais de cinco anos, de 1799 a 1804, percorrendo mais de nove mil e seiscentos quilómetros nas colónias, a pé, de canoa e a cavalo.

 

Viajaram por planícies poeirentas e navegaram pelo rio Orinoco à procura de uma ligação entre o Orinoco e o Amazonas. Subiram o rio Negro, o magnífico afluente do Amazonas, onde a mil novecentos e vinte quilómetros para o interior viram golfinhos de água doce. Encontraram a ligação entre o Orinoco e o rio Negro e durante a viagem recolheram mais de doze mil espécies botânicas.

 

Abriram caminho pela densa floresta tropical, com calor húmido, atormentados pelos mosquitos. As provisões escasseavam e alimentavam-se de sementes de cacau e água do rio. Os seus relatórios continham horríveis descrições da sua entrada em cabanas de índios onde viram repugnantes restos de refeições de carne humana.

 

Outra viagem levou-os aos Andes e viajaram pelo que é hoje a autoestrada pan-americana, pelas abruptas veredas rochosas e subiram aos vulcões Quito, Equador e Chimborazo. Sofreram os dois do mal das montanhas e Humboldt apercebeu-se de que era devido à falta de oxigénio, uma importante descoberta que ajudaria outros exploradores de montanhas, dali em diante. Calculou também que a temperatura descia um grau Farenheit por cada trezentos metros de altura.

 

Entre outras investigações científicas estudou as correntes da costa oeste da América e a corrente Humboldt tem o seu nome.

 

De 1804 a 1827, Alexander von Humboldt viveu em Paris publicando as suas descobertas e conhecendo cientistas. Voltou depois para Berlim cansado e pobre, onde se tornou preceptor do príncipe herdeiro da coroa alemã. Humboldt ajudou a tornar a ciência mais compreensível e interessante para o homem vulgar e publicou por fim a sua obra Kosmos. Morreu aos noventa anos.

As aventuras de John Hanning Speke

John Hanning Speke (1827-1864) não era culto como o seu companheiro de viagens Sir Richard Burton. Era um caçador que julgava os lugares que explorava pela quantidade de caça que tinha.

 

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Speke serviu ativamente no Exército indiano, como oficial, nas guerras sikhs, antes de se juntar a Burton na desafortunada viagem à Somália. Capturado e atado pelos Somalis, saiu a correr da tenda dos seus captores, com as mãos atadas, enquanto as setas zumbiam à sua volta. Embora conseguisse alcançar a liberdade ficou gravemente ferido.

 

Na sua segunda expedição, Burton contraiu malária, antes de chegarem ao lago Tanganhica e Speke quase cegou com uma infeção ocular. O explorador recompôs-se primeiro e partiu sozinho em busca de um lago maior que sabia existir mais para norte.

 

Quinze dias depois, estava na margem de um enorme lago a que deu o nome de Vitória, em honra da sua rainha. Para Speke estava resolvido o problema, mas Burton não tinha a certeza.

 

Mais tarde, em Inglaterra, Speke afirmou que o lago Vitória era a nascente do Nilo. Isto levou a uma discussão aberta com Burton e ao fim da amizade entre eles.

 

Speke tinha os seus apoiantes na Royal Geographical Society que financiaram outra expedição para confirmar as suas afirmações. Desta vez levou consigo um amigo, James Grant.

 

Partindo de Zanzibar mais uma vez, viajaram entre o lago Tanganhica e o lago Vitória. Depois da hospitalidade de Kabaka do Buganda, Speke descobriu a nascente do Nilo a que chamou «cataratas de Ripon». Devido à presença de tribos pouco amistosas, não conseguiu seguir o Nilo até ao Sudão, atravessando o lago Kyoga e o lago Alberto. Os seus inimigos aproveitaram a oportunidade para amesquinharem as suas descobertas.

 

De regresso a Inglaterra, estava prestes a tomar parte num debate com Burton, em Bath, quando, acidentalmente ou não, foi atingido por um tiro quando caçava perdizes na noite anterior.

 

Os feitos de John Hanning Speke ficaram aquém dos seus objetivos, mas desbravou toda uma zona de África abrindo-a ao conhecimento europeu, e preparou o caminho para o seu companheiro Samuel Baker determinar o curso exato do Nilo depois de sair do lago Vitória.

As aventuras de Sir Richard Burton

Sir Richard Burton (1821-1890) foi o mais romântico de todos os exploradores vitorianos. Era um homem de ação, bem como um erudito que sabia falar trinta e cinco línguas. Disfarçado de patane, foi um dos poucos europeus a entrar na cidade santa de Meca.

 

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Quando jovem oficial no Exército indiano passava semanas a fio a viver com os Muçulmanos e a aprender o sufismo, uma variante do islamismo. Era também um espadachim e um cavaleiro exímio.

 

É mais conhecido pela procura da nascente do Nilo. Esta famosa viagem uniria o seu nome ao de John Hanning Speke.

 

Numa viagem anterior, que haviam feito na Somália, os dois homens tinham sido atacados no seu acampamento. Uma seta entrou por uma face de Burton e saiu pela outra e Speke foi ferido em onze sítios. A cicatriz é bem visível em fotografias de Burton já mais velho.

 

Este episódio não os intimidou e, dois anos mais tarde, embarcavam ambos para fazerem a primeira tentativa séria para descobrirem a nascente do Nilo. Em 1856, quase nada era conhecido da África Central, a não ser o boato que circulava sobre um grande lago no coração do continente.

 

Ultrapassaram grandes perigos avançando pelo interior desde Zanzibar até ao lago Tanganhica. Burton teve pouca sorte, adoeceu e ficou para trás, enquanto Speke prosseguia numa viagem para norte, durante a qual localizou o lago Vitória que julgou ser a verdadeira nascente do Nilo. Burton discordou e, embora acabasse por se provar que não tinha razão, desentenderam-se devido às divergências de opinião.

 

Seguiu-se uma vida de viagens e de escrita, porque Burton tornou-se o representante britânico numa quantidade de lugares longínquos, sobre os quais ele escreveu numerosos livros e artigos. Isto incluiu o seu período em Damasco que foi sempre a sua pátria espiritual.

 

Depois da sua morte, a mulher destruiu muitos dos seus escritos. Ela era uma senhora muito religiosa e achou-os, provavelmente, imorais para serem publicados. Felizmente, restaram provas mais do que suficientes que revelaram Burton como o homem informal e fascinante que foi.

Américo Vespúcio e a exploração do Brasil

Américo Vespúcio (1454-1512) foi imortalizado ao darem o seu nome à América, mas pouco se sabe ao certo sobre as suas viagens. Nunca comandou expedições e até certo número delas é discutível.

 

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Sabemos ao certo que era um italiano de Florença, banqueiro, da família dos Médicis, que tal como o seu compatriota, Cristóvão Colombo, serviu os Portugueses e os Espanhóis.

 

Na última metade do século XV, Portugal e Espanha eram uma atração para aventureiros que esperavam fazer fortuna com o comércio com o Oriente. Vespúcio conta nas suas cartas que navegou de Cádis, em 1497, «em direção ao Grande Golfo do Oceano Mar». Pode ter sido sob o comando de Hojeda, numa expedição castelhana, que provavelmente desembarcou no Rio Grande do Norte. Consta também que alcançou as Honduras e a costa mexicana é que trouxe consigo duzentos e vinte e dois escravos.

 

Na sua segunda viagem, quando o rei D. Manuel de Portugal mandou três caravelas explorar o Brasil, ele explorou o rio Amazonas. Parece ter também explorado a costa brasileira de 8º sul a 32º sul até ter de regressar devido ao frio e ao mau tempo. Vespúcio relata que não encontraram nada de grande valor a não ser «árvores de madeira corante, cássia, a árvore de que se faz negrol e outras maravilhas que não podem ser descritas». O seu objetivo era, obviamente, navegar tão para sul quanto possível.

 

Em janeiro de 1502, na terceira expedição, descobriu a baía a que chamou Rio de Janeiro. Em 1503, foi construído um forte a sul do Brasil e era exportada madeira corante para Portugal. Descobriu também o Porto de São Julião, uns vinte anos antes de Fernão de Magalhães, que seria por duas vezes diferentes o local de derramamento de sangue e castigo de um motim. Se Vespúcio tivesse navegado 2º mais para sul teria chegado ao que é hoje chamado estreito de Magalhães.

 

Como julgava ter tocado na costa extrema da Ásia, referiu-se a ela como o Mundus Novus, o Novo Mundo, e quando se espalhou pela Europa a ideia de que havia sido descoberto um novo continente, foi sugerido que se chamasse América e o nome apareceu num mapa, em 1507. Se Colombo tivesse usado a palavra novus (novo) em vez de otro mundo (outro mundo) como usou, talvez tivesse tido a honra de ver o seu nome dado ao continente!

 

Embora Américo Vespúcio fizesse as suas viagens por Portugal, voltou a Espanha e ali deve ter influenciado a cartografia e a exploração da época.

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