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Torre de Babel

Torre de Babel

Profanação dos túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro

Foi o piedoso rei D. João III quem, passando por Alcobaça em setembro de 1524, teve o apetite de ver os restos mortais das pessoas da régia família sepultadas naquela igreja, e para isso fez abrir os túmulos.

 

A 1 de agosto de 1569 D. Sebastião, levado também por curiosidade doentia, mandou abrir os túmulos reais alcobacenses. Mas, ao querer-se correr a pedra que cobre o de D. Inês, houve mutilação, por inabilidade dos operários, partindo-se os dois escudetes heráldicos que ornamentavam os ângulos da cabeceira; por isso el-rei desistiu do seu propósito, suspendeu-se a operação, e já se não abriu este túmulo nem o de D. Pedro.

 

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Túmulo de D. Inês de Castro

 

Diz-se que, na passagem que por ali fez, em 1704, o arquiduque Carlos da Áustria, mais tarde Carlos VI imperador da Alemanha, então pretendente à coroa de Espanha sob o nome de Carlos III, disputando-a ao duque de Anjou, que havia sido aclamado com a denominação de Felipe V, também desejou que se abrisse o túmulo de Inês; mas, fazendo-se para isso diligência, teve de se recuar perante as grandes dificuldades materiais e o perigo de deterioração.

 

Em 1810, por ocasião da invasão francesa comandada por Massena, a soldadesca desenfreada da divisão do conde de Erlon, imaginando tesouros escondidos nos túmulos, arrombou-os bárbara e estupidamente, despedaçando a picão, sem escrúpulos alguns, uma boa parte do lado direito do de D. Pedro e do esquerdo de D. Inês, e fazendo largo rombo em cada um deles por onde tiraram para fora quanto lá havia dentro. O corpo de D. Pedro conservava-se mumificado, envolvido na veste de púrpura com que fôra amortalhado; de D. Inês a cabeça decepada ainda tinha a sua bela cabeleira loira. Tudo foi tirado, profanado, desfeito, disperso pela igreja, servindo de irrisão àquela horda de selvagens, havendo depois mãos piedosas que juntaram estes restos, e os dos outros reis e príncipes sepultados em Alcobaça, pois todos tiveram igual sorte, recolhendo nos túmulos quanto puderam ainda encontrar, mas sem discriminação, que seria já impossível, das pessoas reais a quem pertencia cada uma das peças.

 

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Túmulo de D. Pedro I

 

Quando se fez esta brutal profanação, ainda os dois túmulos estavam na sua primitiva situação, no transepto. Depois disto, não se sabe quando, mas provavelmente já depois do ano de 1827, é que foram mudados para a casa onde hoje se encontram, a qual abre para a nave menor do transepto, ficando à porta dela fronteira à capela de S. Bernardo. A casa, que atualmente abriga os túmulos, tem o eixo paralelo aos transeptos, e é iluminada por três janelas, que abrem para Ocidente. Nela se juntaram nada menos de dez túmulos de pessoas reais.